Resposta rápida
Fredericton, a capital de New Brunswick, é uma cidade pequena, tranquila e muito verde às margens do rio Saint John. Nós moramos lá por cerca de três meses e meio (meados de julho a meados de outubro de 2024) e o que mais vale a pena fazer é: visitar a Beaverbrook Art Gallery (ingresso a partir de CAD 8,50), caminhar, correr ou pedalar no Odell Park (gratuito), atravessar a pé ou de bike a Bill Thorpe Walking Bridge, descer o rio Nashwaak de boia com os amigos (gratuito se você levar a própria boia), colher framboesa fresca no Sunset U-Pick, tentar ver a Aurora Boreal em noites de céu limpo e aproveitar a biblioteca pública, que empresta até passe gratuito pra parques da província.
A gente morou cerca de três meses e meio em Fredericton, de meados de julho a meados de outubro de 2024, e, sinceramente, não esperávamos gostar tanto de uma cidade pequena no meio do Canadá. Fredericton não tem nada do agito de Toronto ou Montreal — e é justamente por isso que ela conquista. Em poucas semanas já sabíamos qual parque tinha a melhor trilha pra correr, qual mercado tinha o preço mais em conta e onde ficava a fila da boia no rio. Separamos aqui tudo que fizemos de verdade por lá, sem forçar nenhum roteiro de turista apressado.
Uma viagem maior pelo Canadá e pelos EUA
Fredericton foi a base de uma viagem bem mais longa. Na ida, paramos em Nova York, onde já contamos o roteiro completo por lá. De Fredericton, aproveitamos vários fins de semana pra conhecer o leste canadense — já mostramos Shediac e Hopewell Rocks em outros artigos, e ainda vamos publicar o que fizemos em Montreal e na cidade de Québec. Na volta pra casa, emendamos com Las Vegas, onde exploramos Antelope Canyon e Horseshoe Bend antes de voltar de vez pro Brasil.
A Aurora Boreal em Fredericton: a coisa mais surreal que vimos por lá
Sem dúvida a experiência mais surreal que vivemos em Fredericton foi ver a Aurora Boreal. Na primeira noite que saímos atrás dela, o alerta de atividade estava bom, mas quase não conseguimos ver nada e voltamos pra casa meio frustrados. No dia seguinte, recebemos um novo aviso de que a atividade estaria forte de novo. Fomos primeiro pro lado norte da cidade, mais afastado das luzes, mas de novo não estava tão visível por ali. Só que, enquanto isso, começaram a chegar relatos de que o lado sul estava com uma visibilidade ótima — e fomos de carro direto pra lá.
Encontramos uma área bem afastada, longe de qualquer luz da cidade, e aí sim conseguimos ver a Aurora Boreal em toda a sua força. Foi um momento surreal, dessas experiências que a gente sonha em viver e nem sempre acontece — muita gente mora anos numa cidade como Fredericton e nunca consegue ver o fenômeno tão bem quanto a gente viu naquela noite.

Beaverbrook Art Gallery: a galeria de arte que surpreende numa cidade pequena
Essa foi uma das primeiras paradas nossas em Fredericton. Afinal, a Beaverbrook Art Gallery fica bem no centro, às margens do rio, e é considerada a maior galeria de arte do Atlantic Canada — tem obras de Salvador Dalí, Turner e artistas canadenses importantes. A gente não esperava encontrar uma coleção desse nível numa cidade do tamanho de Fredericton, e por isso saímos de lá surpresos com a qualidade do acervo.
Em 2026, o ingresso adulto custa CAD 20, estudante ou idoso (65+) paga CAD 14, jovem de 6 a 17 anos paga CAD 8,50 e o passe família sai por CAD 40. Além disso, crianças até 5 anos não pagam nada. Por isso, vale reservar pelo menos 1h30 pra visitar com calma, e ainda tem café dentro da galeria pra descansar entre uma sala e outra.
Atenção pra quem está se programando: na época em que moramos em Fredericton, as noites de quinta-feira eram gratuitas (por doação) na Beaverbrook, e aproveitamos justamente esse dia pra visitar. Isso mudou — desde 16 de novembro de 2024, a galeria passou a cobrar entrada cheia também nas quintas à noite. Hoje não existe mais nenhum dia ou horário gratuito na Beaverbrook: é pago todos os dias da semana.

A grande estrela da galeria é o Santiago El Grande, obra-prima de Salvador Dalí pintada em 1957, com mais de 4 metros de altura. É a peça central do acervo da Beaverbrook desde 1959 e, sozinha, já justifica a visita — ver esse quadro de perto, na escala real, é impressionante.
Odell Park: trilha, bike e corrida de graça no meio da cidade
Bem perto de um supermercado que a gente frequentava, tem o Odell Park, um parque enorme com trilhas na floresta, arboreto e jardim botânico. Por isso, a gente ia com frequência pra correr, andar de bicicleta e simplesmente caminhar no meio do mato — e o melhor é que a entrada é totalmente gratuita. Além disso, é um parque bem cuidado pela prefeitura, com trilhas de diferentes níveis, então dá pra ir tanto pra um passeio tranquilo quanto pra pedalar mais forte.


Bill Thorpe Walking Bridge: atravessando o rio Saint John a pé ou de bike
Outro programa recorrente nosso era atravessar a ponte pedonal que liga as duas margens do rio Saint John, conhecida como Bill Thorpe Walking Bridge. Afinal, ela conecta as trilhas do lado sul e do lado norte do rio, e a vista de cima da água é muito bonita, principalmente no fim de tarde. Por isso, fizemos esse trajeto caminhando, correndo e de bicicleta várias vezes — é gratuito e super seguro.

Tubing no rio Nashwaak: descendo o rio de boia com os amigos
Esse foi um dos programas mais divertidos que fizemos em Fredericton. Fomos um grupo de 8 a 10 amigos, cada um com uma boia — a gente pegou a nossa emprestada com amigos que tinham sobrando, e o resto da turma se resolveu do mesmo jeito. Amarramos todas as boias uma na outra, formando um trenzinho, e assim fomos flutuando rio abaixo bebendo cerveja e parando pra nadar de vez em quando.
O rio em si é de acesso livre e gratuito. Porém, quem não tiver boia própria nem conseguir emprestada pode alugar em operadores especializados perto de Fredericton, como a Nashwaak Tube Rentals, em Durham Bridge, a cerca de 15 minutos do centro, com aluguel entre CAD 10 e 12 por pessoa. Sem a boia dá pra entrar no rio, mas fica bem menos confortável, já que é ela que garante boa parte da graça do tubing. Por isso, o passeio dura de 2 a 4 horas dependendo do volume de água no rio.

Duração da descida e dica dos dois carros
Uma dica importante: quando chega num trecho mais raso do rio, é preciso levantar a bunda da boia, porque bate direto na pedra do fundo — já apanhamos um pouco disso rindo com a turma. Além disso, a duração da descida varia muito conforme o nível da água: com a correnteza mais forte, o percurso costuma levar de 1h30 a 2h30; já com pouca água e o rio mais raso, pode levar de 3 a 4 horas pra vencer o mesmo trecho. A temporada de tubing no rio costuma rodar de junho a meados de setembro, então é programa de verão mesmo.
Uma dica prática que vale muito a pena: vá com pelo menos dois carros. Deixe um carro no ponto de saída, rio abaixo, e o outro no ponto de entrada, onde vocês começam a descida. Se todo mundo deixar o carro só na entrada, na hora que sair do rio lá embaixo vai ter que caminhar de volta até o carro — e são vários quilômetros a pé, o que estraga o final de um passeio que até ali tinha sido só diversão.
Colheita de frutas no Sunset U-Pick
Outro programa de verão que fizemos e recomendamos muito é a colheita de frutas no Sunset U-Pick, na região norte de Fredericton. É temporada de framboesa e a gente foi colher direto no pé — a fruta fica muito mais gostosa do que a comprada em mercado, porque você escolhe cada uma no ponto certo. O funcionamento é simples: pesam o balde vazio na entrada, você colhe à vontade e paga só pelo peso da fruta no final, sem embalagem no meio do caminho. Sai bem mais barato do que comprar pronto no supermercado.

A temporada de framboesa no Sunset U-Pick costuma ir de meados de julho até o início de agosto, sobrepondo o fim da temporada de morango, que começa no fim de junho. Por isso, vale ligar antes ou checar as redes sociais deles, já que o horário de funcionamento muda de acordo com a safra e o clima.
Curso de inglês na UNB e um gostinho da vida universitária
Durante os três meses e meio em Fredericton, nós dois fizemos um curso de inglês pago de um mês na University of New Brunswick (UNB), no English Language Programme (ELP) — um dos programas de inglês como segunda língua mais tradicionais do Canadá, criado em 1950, que recebe alunos de mais de 70 países todos os anos. Foi uma experiência excelente, tanto pelo nível do curso quanto por conhecer gente de tantos lugares diferentes na mesma sala de aula. É um investimento — a mensalidade é cobrada pela própria UNB —, mas valeu muito a pena pra nós. Aproveitamos também pra visitar alguns departamentos acadêmicos do campus, o que deu uma outra dimensão pra conhecer a cidade além do lado turístico.

Vale um adendo importante pra quem está pesquisando: se você for imigrante registrado em Fredericton, existe a MCAF (Multicultural Association of Fredericton), uma organização fundada em 1974 que oferece aulas de inglês gratuitas pra recém-chegados. Como a gente estava só de passagem por uma temporada, sem status de imigrante, não tínhamos acesso a esse benefício e por isso optamos pelo curso pago na UNB. A MCAF também é quem organiza o Cultural Expressions Festival, aquele evento cultural com barraquinhas de comida de vários países que a gente curtiu perto da biblioteca.
Academia GoodLife Fitness
Pra manter a rotina de treino nesses três meses e meio, malhamos na GoodLife Fitness, uma rede de academias espalhada por várias cidades do Canadá que também tem unidades em Fredericton. Por isso, gostamos bastante da estrutura e recomendamos pra quem for morar ou passar uma temporada mais longa na cidade.
Como se locomover em Fredericton
Pra quem vai ficar uma temporada mais longa como a gente, vale pensar em como se locomover pela cidade. No nosso caso, conseguimos alugar o carro de um conhecido brasileiro que morava lá e tinha um carro parado sem uso — foi bem mais em conta do que uma locadora tradicional, então vale procurar na comunidade brasileira local se você for ficar um tempo maior.
Outra opção é o ônibus da Fredericton Transit, que cobre a cidade toda, mas não tem a mesma frequência de uma capital grande: dependendo da linha e do horário, o intervalo entre um ônibus e outro é de 30 minutos a 1 hora. Funciona bem, só exige um pouco mais de paciência e planejamento.
Mas o meio de transporte que mais usamos no dia a dia foi o carro. A bicicleta também é uma ótima opção — Fredericton é uma cidade pequena e bem plana, com ciclovias e trilhas como as do Odell Park e a Bill Thorpe Walking Bridge cortando a cidade — e chegamos a usar bastante, mas o carro foi mesmo o meio de transporte principal no nosso dia a dia.
Biblioteca pública de Fredericton: muito mais que livros
Fizemos a nossa carteirinha na Fredericton Public Library, no centro da cidade, e essa foi uma das melhores decisões práticas do período em que moramos lá. Além do acervo normal, a biblioteca empresta passes de entrada gratuita para parques provinciais de New Brunswick — um benefício de um programa da província que, por isso, vale muito a pena aproveitar se você for ficar um tempo na cidade.
Feiras e eventos culturais perto do centro
Fomos também em alguns eventos culturais que rolam no centro de Fredericton, bem perto da biblioteca, com barraquinhas de comida de vários países — provamos comida tailandesa, brasileira e mexicana lado a lado no mesmo evento. Afinal, a cidade tem uma comunidade multicultural forte e organiza festivais assim ao longo do ano, com música, dança e comida de rua representando dezenas de nacionalidades diferentes.
Compras em Fredericton: Costco, Marshalls, Winners e Dollarama
No dia a dia, a gente sempre fazia as compras de mercado no Costco, que tem preço muito bom pra quem compra em quantidade. Além disso, pra roupa, relógio e outros itens, gostávamos de passar na Marshalls e na Winners, que têm preços bem mais em conta que loja de shopping tradicional. Por fim, pra itens pequenos do dia a dia, a Dollarama resolvia rapidinho e barato.
Quanto custa um dia em Fredericton (tabela 2026)
| Atividade | Custo aproximado (2026) |
|---|---|
| Beaverbrook Art Gallery (adulto) | CAD 20 |
| Beaverbrook Art Gallery (estudante/idoso) | CAD 14 |
| Beaverbrook Art Gallery (jovem 6-17 anos) | CAD 8,50 |
| Odell Park | Gratuito |
| Bill Thorpe Walking Bridge | Gratuito |
| Tubing no rio Nashwaak (rio + acesso) | Gratuito |
| Aluguel de boia para tubing (por pessoa) | CAD 10 a 12 |
| Carteirinha da biblioteca pública | Gratuito |
| Passe de parque provincial (via biblioteca) | Gratuito |
| Curso de inglês UNB (English Language Programme) | Pago (valor sob consulta) |
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Matheus Ferreira
Mineiro, hoje vivendo em Vitória ES e com o mundo no horizonte. Engenheiro Florestal, cofundador da Mileve Travel e apaixonado por descobrir destinos que a maioria ainda não conhece. Já explorou o Canadá de ponta a ponta, nadou com tubarões e raias nas Maldivas e fez cruzeiro pela América do Sul. Aqui no blog conta tudo com a honestidade de quem viajou de verdade.
Perguntas frequentes sobre Fredericton
O que fazer em Fredericton, no Canadá?
Fredericton mistura natureza e cultura: dá pra visitar a Beaverbrook Art Gallery, caminhar ou pedalar no Odell Park, cruzar a Bill Thorpe Walking Bridge, fazer tubing no rio Nashwaak e curtir feiras culturais perto da biblioteca pública.
Quanto custa visitar a Beaverbrook Art Gallery em Fredericton?
Em 2026, o ingresso adulto custa CAD 20, estudante/idoso CAD 14, jovem de 6 a 17 anos CAD 8,50 e o passe família CAD 40. Crianças até 5 anos não pagam. Desde 16 de novembro de 2024 não existe mais entrada gratuita ou por doação nas noites de quinta-feira.
Vale a pena fazer tubing no rio Nashwaak?
Sim, é um dos programas mais divertidos e baratos da região. O rio é de acesso livre e gratuito — só se paga o aluguel da boia (CAD 10 a 12/pessoa) caso você não tenha uma própria. O passeio dura de 2 a 4 horas rio abaixo.
Fredericton é uma cidade cara para morar ou visitar?
Não é cara pros padrões canadenses. Costco, Marshalls, Winners e Dollarama ajudam bastante a economizar no dia a dia.
Qual a melhor época do ano para visitar Fredericton?
O verão, entre junho e setembro, é a melhor época — os parques ficam verdes, rola tubing no rio Nashwaak e acontecem os principais eventos culturais ao ar livre.
Dá para economizar visitando parques em Fredericton?
Dá sim. A biblioteca pública empresta passes gratuitos para parques provinciais, e o Odell Park é gratuito o ano todo.
Quanto tempo dura o tubing no rio Nashwaak?
Depende do nível da água: com correnteza mais forte, leva de 1h30 a 2h30; com pouca água, pode levar de 3 a 4 horas. Vá com pelo menos dois carros — um na entrada e outro na saída do rio — pra não precisar caminhar vários quilômetros de volta no final.
Dá para fazer curso de inglês em Fredericton?
Dá sim. A UNB tem o English Language Programme (ELP), criado em 1950, que recebe alunos de mais de 70 países todos os anos, com opções de curso de curta e longa duração no próprio campus. É um curso pago, com mensalidade cobrada pela própria UNB. Já imigrantes registrados podem ter acesso a aulas de inglês gratuitas pela MCAF (Multicultural Association of Fredericton).
É possível ver a Aurora Boreal em Fredericton?
Sim, em noites de forte atividade geomagnética dá pra ver a Aurora Boreal em Fredericton, principalmente longe das luzes da cidade. Vale acompanhar alertas de previsão e ter flexibilidade pra se deslocar até uma área mais escura, já que a visibilidade pode mudar bastante de um lado da cidade pro outro na mesma noite.
Fredericton vale a pena no roteiro pelo Canadá?
Vale, principalmente pra quem já vai visitar o leste canadense e destinos próximos como Hopewell Rocks e Shediac. Fredericton é pequena, segura e fácil de andar a pé ou de bicicleta.
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